sexta-feira, 26 de março de 2010

JEREMIAS, O PROFETA DA ESPERANÇA

Vamos conhecer um pouco sobre a personagem em questão
JEREMIAS [Heb. Javé É Elevado; Jeová é eleva ou Jeová lança, ou seja, o Senhor (YHWH) designa ou estabelece]. Suas profecias inverossímeis foram muito atacadas na sua época, mas eram inabaláveis palavras divinas, conforme psterior comprovação. O próprio título anuncia essa certeza. Profeta nascido em família de sacerdotes, em 647 a. C., aproximadamente, na cidade de Anatote, uma cidade sacerdotal distante cerca de 5 Km a nordeste de Jerusalém. Era filho de Hilquias, que foi provavelmente o sumo sacerdote na ocasião da reforma de Josias. Hilquias foi também bisavô de Esdras (Ed 7.1). Foi chamado ao ministério profético através de uma visão {Jr 1.4-10}. Profetizou durante 40 anos (aproximadamente 627-586), aconselhou 5 reis e 1 governador de Judá, bem como os rebeldes judeus restantes que fugiram para o Egito. nos reinados dos cinco últimos reis de Judá (627 a 587 a.C.). As autoridades não recebiam bem as suas mensagens. Jeremias foi rejeitado, perseguido e preso pela casa real em Jerusalém muitas vezes (Jr 37.15), e depois da destruição da Cidade Santa foi levado cativo ao Egito, contra a sua vontade. Alguns episódios de sua vida estão narrados no seu livro (Jr 26; 28; 32; 35-43). Viu a destruição de Jerusalém e chorou por ela. É também conhecido como o Profeta das Lágrimas. Nabucodonosor cuidou dele depois da destruição de Jerusalém {Jr 39.11-12}. Foi forçado a ir para o Egito {Jr 43.6-7} e lá, em adiantada velhice, e a tradição judaica diz que ele morreu em Mênfis, no Egito, por volta de 577 a.C. (Jr 43.4-7). V. LIVRO DE JEREMIAS, e LAMENTAÇÕES DE JEREMIAS. JEREMIAS, LIVRO DE Livro que contém as mensagens do profeta JEREMIAS. A autoria de Jeremias é fato provado e não tem sofrido séria contestação. Pode ser confirmada de dois modos:
  1. Internamente, o livro tem numerosas referências biográficas e autobiográficas de Jeremias como autor e Baruque como escrivão ou secretário. Nenhum ouro profeta teve o seu nome repetido tantas vezes quanto Jeremias (131). Baruque é mencionadovinte e três vezes.
  2. Externamente, o livro é atribuído Jeremias em Daniel 9.2 e Esdras 1.1, bem como em tradições judaicas.

A formação de Jeremias é toda ela envolvida com profecia. Por esse motivo, sabe-se mais da vida pessoal desse profeta do que qualquer outro. Em muitos casos, suas ações tornavam-se parte da mensagem. Das seguintes observações pode-se traçar o perfil do profeta:

  1. Foi instituído profeta pelo Senhor antes do seu nascimento (Jr 1.5) e chamado pelo Senhor no décimo terceiro ano do reinado de Josias, aos 20 anos de idade, aproximadamente (Jr 1.2).
  2. Não se casou, pois o Senhor proibiu que o fizesse como um sinal ao povo da próxima destruição de Jerusalém (Jr 16.2 e ss).
  3. Apesar de ser um homem compassivo e profundamente sensível, Jeremias foi chamado para um ministério em que proclamou inexorável julgamento contra a nação. Considerado um traidor devido a esses julgamentos, parece que não viu uma só pessoa converter-se no seu longo ministério de mais de quarenta anos.
  4. Embora impopular e desprezado quando profetizava e insistia na submissão à Babilônia, tornou-se mais tarde o herói popular dos restantes judeus exilados, depois de as suas predições de julgamento serem cumpridas e de o povo lembrar também das suas predições de uma futura libertação e retorno.

Ele anunciou o castigo que Deus ia mandar e ainda estava vivo quando as suas profecias se cumpriram {Jr 52}. Mas Jeremias disse que um dia os israelitas iriam voltar para a sua terra e que seriam de novo uma nação. Ele falou também de um tempo em que Deus faria uma nova ALIANÇA com o seu povo. Essa aliança seria cumprida de livre e espontânea vontade, pois a lei de Deus estaria gravada no coração das pessoas {Jr 31.31-34}. Seus discursos proféticos estão intercalados com a história do próprio profeta e também de seu povo. Essas profecias não estão dispostas na mesma seqüência cronológica em que foram proferidas. O livro abrange o reinado de Josias e vai até o cativeiro na Babilônia.

Os capítulos 1 - 12 se encaixam no reinado de Josias. O capítulo 11 parece ser uma referências ao achado do livro da Lei (2 Rs 22.8-13). Os capítulos 13-20 parecem se encaixar no reinado de Jeoiaquim, mas outros capítulos podem estar conectados a eles (22, 25, 26, 35, 36 e 45). Os capítulos 22 - 24 e 27 - 30 são do reinado de Joaquim, filho de Jeoiaquim.
Há uma série de profecias contra as nações inimigas, proferidas em datas diferentes e agrupadas a partir do capítulo 46: Egito, Filístia, Moabe, Amom, Edom, Síria, Elão, Hazor, sendo que os capítulos 50 e 51 falam sobre a Babilônia. O último capítulo descreve a destruição de Jerusalém e o cativeiro de Judá (52).
Duas vezes a palavra profética fala do retorno de judá após os 70 anos na Babilônia, que deu ao povo esperança da reconstrução nacional (Jr 25.11; 29.10). Jeremias anunciou a vionda do Messias, o rei da descendência de Davi (Jr 23.5, 6). O livro é citado muitas vezes no Novo Testamento:
Jr 7.11 (Mt 21.13)
Jr 9.24 (1 Co 1.31)
Jr 10.7 (Ap 15.4)
Jr 11.10 91 Ts 2.4)
Jr 17.10 (Ap 2.23)
Jr 22.5 (Mt 23.38)
Jr 25.10 (Ap 18.22, 23)
Jr 31.15 (Mt 2.17)
Jr 51.7-9 (Ap 14.8; 17.2, 4; 18.3, 5)
Jr 51.63,64 (Ap 18.21)
LAMENTAÇÕES, LIVRO DE Seu título em hebraico é (Eichah), como?, a palavra do livro. Na Septuaginta seu nome é (Thernoi), no singular (threnos), que significa "lamento, gemido, cântico de dor, cântico fúnebre". Segundo os escritores latinos, como também na Vulgata Latina, o livro é identificado como Lamentationes ou Lamenta. É parte dos Hagiógrafos, o quarto livro dos Megilloth, no Cânon Judaico, e é lido em 9 de Av (julho-agosto), data do jejum pela destruição do Templo (2 Rs 25.,8, 9).
São cinco capítulos compostos em forma poética que vêm como um apêndice às profecias de Jeremias. O livro é, na verdade, o cântico fúnebre da Cidade, e exprime o sentimento de dor pela desolação de Jerusalém e pela destruição do Templo. Rico em expressão patriótica, seu objetivo é trazer os judeus ao arrependimento e ensinar o povo a não desprezar o castigo divino. No Novo Testamento há uma reminiscência de Lamentações (Lm 3.45; 1 Co 4.13).
LAMENTAÇÃO sobre a destruição de Jerusalém e sobre o sofrimento do povo que participou dela, em 587 a.C. O autor faz uma confissão de pecados cometidos pelo povo e pelos seus líderes, reconhecendo ter sido justo o castigo que a cidade e seu povo receberam {Lm 1.18}. Porém conforta-se na misericórdia de Deus e roga que ele mais uma vez ajude e restabeleça seu povo. Segundo a tradição judaica e a Cristã, Jeremias é seu autor.

CENÁRIO HISTÓRICO

DATA EM QUE FOI ESCRITO 627 - 580 a. C.

  1. O ministério de Jeremias começou no reinado de Josias e continuou em Jerusalém durante os dezoito anos de reforma e os vinte e dois anos de colapso nacional.
  2. Forçado a ir para o Egito com o resto rebelde em 586, ali profetizou durante cinco anos talvez, condenando a idolatria dis judeus (Jr 44.8) e anunciando a vinda próxima de Nabucodonosor para conquistar o Egito (o que ocorreu em 568).

CENÁRIO POLÍTICO

  1. No cenário internacional, foi essa uma época de as nações manobrarem pela primazia do mundo. As três nações mais envolvidas eram Assíria, Babilônia e Egito. Em 626, Nabopolassar da Babilônia, com o auxílio dos medos, tomou essa cidade das mãos dos assírios, que vinham controlando o poderio mundial por quase dois séculos. Em 612, destruíram Nínive e em 610 tomaram Harã. Em 605, a Babilônia derrotou o exército egípcio em Carquemis e assumiu o controle da palestina. Desse modo, Nabucodonosor, chegou ao auge do poder em 605, ano da morte do seu pai, apesar de o Egito só ser conquistado em 568. Durante a maior parte daquele período, o Oriente Médio esteve em tulmulto, e Jeremias advertia em vão os filhos de Josias a submeterem-se à Babilônia.
No cenário nacional, o período da profecia de Jeremias foi dos mais negros da história judaica, pois os pecados dos antepassados (idolatria) foram punidos com julgamento divino. Esse julgamento consistiu em quatro tragédias nacionais em Israel:
  • Em 609, Josias foi morto em megido quando tentava impedir que Faraó Neco auxiliasse a Assíria na batalha com a Babilônia. Essa morte, depois da grande reforma e da expansão política de Josias, foi uma das maiores tragédias ocorridas em Israel, profundamente lamentada por toda a nação.
  • Em 606, Nabucodonosor libertou Jerusalém do controle, e em seguida começou a deportar os judeus, levando alguns membros da família real para a Babilônia, Daniel entre eles. Seu propósito era treiná-lospara o serviço do governo.
  • Em 597, Nabucodonosor teve de mandar o seu exército a Jerusalém em duas ocasiões a fim de sufocar a rebelião de Judá e o seu alinhamento com o Egito. Na primeira vez, o rei Jeoaquim foi morto e "largado ao calor do dia e à geada da noite " (2 Cr 36.30); na segunda, Joaquim foi levado para a Babilônia de pois de um reinado de três meses. Nessa ocasião Nabucodonosor saqueou a cidade e os tesouros agrados do templo, e exilou para Babilônia a camada mais alta da população (2 Rs 24.11-16).
  • Em 586, Jerusalém e o templo foram destruídos por Nabucodonosor depois de outra rebelião em cerco de dois anos à cidade. Essa destruição foi histórica, repercurtiu em todo o mundo, e era quase inconcebível para a mentalidade judaica, que via Jerusalém como parte do destino eterno da nação.