quinta-feira, 13 de maio de 2010

O CUIDADO COM AS OVELHAS

Texto Áureo:


Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas. (Jo 10.11).

Ovelha, carneiro no gr. significa próbaton e é empregado trinta e nove vezes no Novo Testamento. O líder compassivo é chamado de pastor (Jr 3.15). Quando as pessoas estão sem liderança, são consideradas ovelhas dispersas sobre os montes, isto é, sem liderança elas não têm a orientação para trabalhar juntas a fim de vencer os obstáculos. (1 Rs 22.17; Nm 27.17).

É óbvio que para o cuidado ser eficaz se faz necessário que as duas partes estejam em concordância, ou melhor, cientes de suas obrigações, tanto a ovelha quanto o pastor precisam entender que cada um assume um papel nessa relação, não deve haver a troca de valores (posições), sendo assim o cuidado não estará dentro dos padrões bíblicos.

Por outro lado, observamos que o salmista Davi especificamente no Salmos 23.4, cita duas ferramentas que o pastor utiliza na condução do rebanho, a saber são: a vara e cajado, este serve para trazer aquelas ovelhas desapercebidas, quase caindo no abismo, mas não percebem o fim de seus passos, enquanto que aquela é usada para fustigar as ovelhas mais rebeldes, ou seja, aquelas que tem vontade de conhecer os lugares ou fazer coisas fora dos limites estabelecidos pelo pastor; existem ovelhas que não precisam nem de uma e nem da outra ferramenta, pois são obedientes e o pastor não se preocupa ao ponto de usar a vara ( lembra castigo ou correção) e o cajado (bordão do pastor que tem a  sua ponta arqueada) com estas.

É interessante notar que o cuidado em si nos lembra:

  1. Abdicação dos próprios anseios, com a finalidade de ficar disponível para cuidar;
  2. Requer tempo com qualidade;
  3. Exige dedicação e disposição;
  4. Aproximação com respeito (ter cheiro de ovelha);
  5. Reclama atenção dobrada;
  6. Cobra responsabilidade e compromisso;

E outras exigências mais, porém, não poderiamos deixar de citar que, segundo o texto em pauta, temos a característica principal que resume tudo o que um pastor deveria fazer (...dá a vida pelas ovelhas). Missão é missão!

Dar a própria vida em favor da defesa dos que estão sob sua responsabilidade (lutar pela causa da ovelha).

Dá-nos a entender que existindo um rebanho tomado conta por um pastor, se alguma ovelha fosse tirada de seu ambiente salutar, logo, o caráter desse pastor o diz que se a ovelha tem que passar pela morte, então, ele terá que morrer primeiro, a fim de dar o exemplo; no caso acima, a ovelha foi tirada bruscamente de seu habitat, portanto, entendemos que esse pastor estaria passivo de morte, caso não a encontrasse, pois, a ovelha sob sua responsabilidade escapou de suas mãos.

Embora a ovelha viesse realmente a morrer, observe que a principal missão do pastor é dá a vida pelas ovelhas, então, se acontecesse dela chegar a perecer, todo o trabalho daquele pastor em proteger a ovelha teria falhado, como pois, ficaria sua consciência em saber que teria que defendê-la até a morte?, sendo que agora era ela quem estava morta e ele com vida, o que estaria pensando esse pastor?

No mínimo, poderia ele pensar, não fui capaz de cumprir a minha missão, quem era para está morto era eu e não a ovelha?

No entanto, esse fato exemplificativo inserido nas Escrituras Sagradas referente à pessoa Bendita de Jesus é o modelo mais profundo de cuidado que já conhecemos, o que nos leva a observar e criticar alguns comportamentos de certos pastores que perderam o foco da sua missão, ou seja, se muitos puderem sugar, tirar, arrancar e oprimir as ovelhas até o que elas não tem para oferecer, eles vão fazer!

Eu creio conscientemente que são poucos, os que detenham o título de pastor propriamente dito ou que nos dias atuais existam pastores focados em seus verdadeiros legados (se possível for, morrer para que a ovelha viva!).

Comentário acerca da Leitura Bíblica em Classe

"A mensagem concernente ao renovo justo (Jr 23.5). Jeremias sumariou os reis injustos como se eles fossem pastores que tinham destruído e espalhado as ovelhas de Deus".

O capítulo 34 do livro de Ezequiel foi escrito mais ou menos na mesma época que Jeremias escreveu o capítulo 23.

Observe na íntegra o capítulo (34.1-10) de Ezequiel na versão RC Almeida Revista e Corrigida:

1 E veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo:

2 Filho do homem, profetiza contra os pastores de Israel; profetiza e dize aos pastores: Assim diz o Senhor JEOVÁ: Ai dos pastores de Israel que se apascentam a si mesmos! Não apascentarão os pastores as ovelhas?


O interesse dos falsos pastores é só, e somente só a auto-satisfação ou  o contentamento pessoal deles.

3 Comeis a gordura, e vos vestis da lã, e degolais o cevado; mas não apascentais as ovelhas.


Este texto se refere a exploração que era feita sobre as ovelhas, o ato de usufruir cegava os olhos da responsabilidade para com as mesmas.

4 A fraca não fortalecestes, e a doente não curastes, e a quebrada não ligastes, e a desgarrada não tornastes a trazer, e a perdida não buscastes; mas dominais sobre elas com rigor e dureza.


O serviço pastoral deixava muito a desejar, nada do que deveria ser executado era feito. Que situação hein! as ovelhas estavam acompanhadas, pelos pseudo-pastores, porém, sozinhas, não podiam contar com a ajuda deles!

5 Assim, se espalharam, por não haver pastor, e ficaram para pasto de todas as feras do campo, porquanto se espalharam.


Quando não se tem alguém para lhe orientar, a tendência é seguir o primeiro que vem pela frente, ou ainda, caminhar pela vida através da própria experiência, quem sabe pelos próprios instintos.

6 As minhas ovelhas andam desgarradas por todos os montes e por todo o alto outeiro; sim, as minhas ovelhas andam espalhadas por toda a face da terra, sem haver quem as procure, nem quem as busque.


O estado era tão crítico que o profeta declara que não havia ninguém que se senbilizasse por elas, estavam perdidas, sem norte e sem direção!

7 ¶ Portanto, ó pastores, ouvi a palavra do SENHOR:

8 Vivo eu, diz o Senhor JEOVÁ, visto que as minhas ovelhas foram entregues à rapina e vieram a servir de pasto a todas as feras do campo, por falta de pastor, e os meus pastores não procuram as minhas ovelhas, pois se apascentam a si mesmos e não apascentam as minhas ovelhas,

9 portanto, ó pastores, ouvi a palavra do SENHOR:

10 Assim diz o Senhor JEOVÁ: Eis que eu estou contra os pastores e demandarei as minhas ovelhas da sua mão; e eles deixarão de apascentar as ovelhas e não se apascentarão mais a si mesmos; e livrarei as minhas ovelhas da sua boca, e lhes não servirão mais de pasto.

O dia da prestação de contas está chegando, os tais pastores que se preparem para tentar justificar suas ações malígnas, ainda que tentem, não conseguirão, porque antes de assumirem o compromisso, sabiam de que se tratava.

"Ai dos pastores que destroem e dispersam as ovelhas do meu pasto, diz o SENHOR." (Jr23.1)

Os pastores (reis) tinham-se mostrado desleais à sua incumbência. A obrigação de recolher e proteger as ovelhas, entretanto, as espalharam deixando-as vulneráveis para o ataque do lobo babilônico. Possivelmente Jeremias se referia aos quatro últimos reis: Salum, Jeoaquim, Conias e Zedequias, esses homens tinham removido a idolatria-adultério-apostasia de Judá, garantindo assim a retribuição divina que acabou reduzindo a nada a nação de Judá.

Os pastores são incumbidos de cuidar das ovelhas; nenhum pastor é obrigado a aceitar esse ofício se ele não quiser, então, o indivíduo que é consagrado ao ministério pastoral é ciente de seus deveres e responsabilidades, bem como de suas recompensas outorgadas pelo próprio Deus.

Até porque o cuidado dele deve estar voltado para as pessoas e não para coisas; a ordem dos fatores é essa, primeiro trabalha-se o bem estar das ovelhas, em seguida, preocupa-se com as coisas que as ovelhas possam usar.

O que se percebe é que ainda hoje há uma inversão de interesses, ou seja, prefere-se valorizar mais as coisas que as ovelhas utilizam do que a saúde da mesma, ou pior, é preferível para esses tirar o máximo de proveito que a ovelha possa oferecer, e quando ela não tiver mais nada para dar, elas são destruídas ou dispersadas, sem dono, sem cuidado e sem direção, ou melhor elas só servirão enquanto derem algum retorno para o mercenário.

O Senhor Jesus ao voltar para Deus se preocupou em designar alguns ofícios com a finalidade de aperfeiçoar o desempenho para seu serviço, bem como, para a edificação do Corpo de Cristo, por isso, Ele mesmo concedeu "...e outros para pastores..." (Ef 4.10-12).

"Portanto, assim diz o SENHOR, o Deus de Israel, acerca dos pastores que apascentam o meu povo: Vós dispersastes as minhas ovelhas, e as afugentastes, e não as visitastes; eis que visitarei sobre vós a maldade das vossas ações, diz o SENHOR." (Jr 23.2).

Os pastores eram indiferentes, não as alimentavam, as espalharam; as afugentaram para enfrentar os lobos sozinhas; (não queriam responsabilidades); eles não as recolheram (visitaram) se importando com elas. Ora, se os pastores não as visitavam, alguém teria que visitar, ou seja, se a pessoa adequada não visita, outra pessoa descompromissada com Deus irá visitar e levar a comida contaminada, o remédio vencido e o agasalho rasgado, assim como o consolo superficial.

Os pastores são convocados a uma prestação de contas e se for constatado que não executaram sua missão conforme a vontade de quem o arregimentou para a labuta, serão cobrados, chamados à atenção, e castigados pelas más ações em deixar de cuidar das ovelhas, permitindo suas dispersão e afugentando-as.

Portanto, se os pastores não cuidarem da propriedade de Deus, este irá cuidar para que sejam penalizados, visto que não se interessaram pelo desígnio de Deus, o cuidado com as ovelhas.

Ter o ofício de pastor, é mais que um título, uma posição ou um privilégio, pelo contrário é ter o coração/sentimento de Deus sobre  a causa que abraçou, entretanto se o tal tiver esse pensamento e atitude, sem dúvida realizará sua obra com propriedade e terá recompensa pelo seu trabalho.

Para que alguém exerça com sabedoria e humildade essa tarefa é imprescindível que cuide das ovelhas como se fosse o próprio Deus cuidando, ou seja, tudo o que pensar em fazer com elas, pergunte-se a si mesmo como é que Deus faria se estivesse em seu lugar, agora!?

"E eu mesmo recolherei o resto das minhas ovelhas, de todas as terras para onde as tiver afugentado, e as farei voltar aos seus apriscos; e frutificarão e se multiplicarão." (Jr 23.3).

Os vss. 3,4 predizem a volta do rebanho de Israel das terras para onde eles foram expulsos, com bons pastores para dirigi-los (trata-se da dispersão dos judeus). Os pastores levantados para corrigir o tratamento anterior teriam um trabalho mais árduo, reverteriam os males praticados pelos maus pastores; precisavam alimentar o rebanho através do retorno à Palavra de Deus e a volta dos valores perdidos. No Messias, a linhagem davídica será reconduzida ao  trono de Israel e Ele será o principal Pastor. Essa idéia é dada no vs. Jr 23.5. Zorobabel, Esdras e Neemias seriam pastores bons, ma apenas tipos de coisas melhores por vir (Jo 10.28 que prefigurava o próprio Cristo).

Já que os pastores designados não fizeram suas tarefas de casa, então, o próprio Dono das ovelhas avoca as responsabilidades, visto que o que não pode acontecer é a obra permanecer sem execução e as ovelhas sem direção.

As ovelhas têm dono! Elas são sensíveis e sabem qual a intenção de quem  as guia por representação de Deus!

A forma de falar com elas, o tratamento, a atenção, o despreendimento, tudo isso é percebido pelas mesmas, para que sintam confiança no pastor vai ser necessário muito esforço e dedicação, além dele ter que parecer muito com o próprio Deus, ou melhor as ovelhas necessitam enxergar nele o cuidado do próprio Senhor da Glória!

"E levantarei sobre elas pastores que as apascentem, e nunca mais temerão, nem se assombrarão, e nem uma delas faltará, diz o SENHOR." (Jr 23.4)

Ainda que o Deus Eterno assuma o compromisso inadiável, Ele fará questão de levantar pastores responsáveis para que cumpram seu propósito pré-estabelecido.

"Na verdade, na verdade vos digo que aquele que não entra pela porta no curral das ovelhas, mas sobe por outra parte, é ladrão e salteador." (Jo 10.1).

Aprisco ou curral era um espaço descoberto, circundado por um muro baixo que fornecia proteção para o rebanho à noite. Simbolizava a salvação e a segurança de que desfrutam as ovelhas, mediante os cuidados tanto de Deus Pai como de Deus Filho. As ovelhas representam os discípulos verdadeiros do Reino, o quel,  quando este Evangelho foi escrito, era reputado como Igreja.

"...Aquele que não entra pela porta..." (Jo 10.1/a).

Ora, se alguém não quer ser identificado ou fazer conhecidas suas intenções, porém quer tirar proveito de alguma coisa, essa pessoa com certeza não vai entrar pela porta, a fim de não ser percebido. A porta tem a interpretação específica é a própria Pessoa de Cristo, através de quem (Jo 14.6) os homens entram no aprisco, o qual tipifica a savalção que há em Cristo Jesus.

"...mas sobe por outra parte, é ladrão e salteador."  (Jo 10.1/b).

Todos aqueles que se aproximam das ovelhas do Mestre para oprimi-las burlam o acesso, ou seja, enganam as mesmas se disfarçando de pastor, com a finalidade de ganhar a confiança delas. O ladrão vem de alguma direção não costumeira para obter entrada forçada no curral.

Aquele... que entra pela porta é o pastor das ovelhas" (Jo 10.2)

"...pastor..." se deriva de uma raiz cujo sentido é protetor, sendo essa a idéia central de um pastor, proteger as ovelhas do mal. Esse Pastor que é o próprio Senhor Jesus Cristo, é idealmente bom, fazendo contraste com as ações egoístas e prejudiciais dos falsos pastores. Cristo cumpre cada pensamento de orientação, apoio, suprimento, segurança e auto-sacrifício, e o seu propósito geral é o de conduzir suas ovelhas a uma vida mais abundante neste mundo é a vida eterna no futuro. Entra pela porta = Significa aproximação sincera e transparente, ou seja, sua identificação aparente condiz com suas intenções e caráter.

"A este o porteiro abre, e as ovelhas ouvem a sua voz, e chama pelo nome às suas ovelhas e as traz para fora. E, quando tira para fora as suas ovelhas, vai adiante delas, e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz. Mas, de modo nenhum, seguirão o estranho; antes, fugirão dele, porque não conhecem a voz dos estranhos." (Jo 10.3,4,5).

O porteiro mui provavelmente representa a Pessoa Bendita do Espírito Santo que além de conduuzir a toda a verdade, nos fará lembrar de tudo o que o Senhor Jesus ensinou e também convencer-nos do pecado, da justiça e do juízo (Jo 14.26; 16.8-13). Ouvir a sua voz (leia Jo 14.15 e 15.14).

As ovelhas conhecem a voz do pastor que encerra uma expressão levemente diferente e mais intensa do que a que encontramos, onde é dito que as ovelhas "ouvem" a voz do pastor. As ovelhas reconhecem a voz  do pastor devido ao contato e a experiência com ele, e assim "ouvem" com conhecimento com a consciência de que está sendo conduzidas pelo pastor e isso de maneira benéfica para elas, porquanto assim é que o pastor sempre trata as ovelhas.

O pastor as chama de vez em quando, a fim de lembrá-las de sua presença. Elas reconhecem a sua voz e continuam seguindo; porém, se algum estranho as chama, elas levantam a cabeça alarmadas e se a chamada se repete, fazem meia-volta e fogem dele; porquanto não reconhecem a voz dos estranhos.

O porteiro e as ovelhas conhecem o pastor, esse respeita as tais chamando-as pelo nome e as conduz para fora indo na frente, guiando, protegendo, orientando e percebendo os perigos e o melhor lugar para se alimentar, é interessante notar a posição que o pastor fica em relação as ovelhas, ele precisa estar na frente, dando exemplo, ou seja, ele é o primeiro a sentir o terreno, caso tenha alguma barreira ou buraco, o pastor é quem perceberá à primeira vista a dificuldade.

O cuidado com as ovelhas resume-se em:

Quando passares pelas águas, estarei contigo, e, quando pelos rios, eles não te submergirão; provavelmente se refere ao cuidado que o pastor tem de tomar quando o rebanho atravessa um curso d'água (Is 43.2).

Isaías 40.11 utiliza o comportamento do pastor carregando os cordeiros, e não empurrando as ovelhas com muita força na época que dão cria, para demonstrar o cuidado de Deus pelo seu povo: "Como pastor, apascentará o seu rebanho; entre os braços, recolherá os cordeirinhos e os levará no seu regaço; as que amamentam, ele as guiará mansamente".

Qualquer ferida das ovelhas era untada com óleo de oliva (Sl 23.5) - o mesmo cuidado era empregado nos ferimentos humanos (Lc 10.34).