sábado, 13 de outubro de 2012

OSÉIAS - A FIDELIDADE NO RELACIONAMENTO COM DEUS



VERSÍCULO CHAVE

“E desposar-te-ei comigo para sempre; desposar-te-ei comigo em justiça, e em juízo, e em benignidade, e em misericórdias.” Oséias 2:19
TÍTULO DO LIVRO

Oséias significa “salvação” ou livramento. A forma hebraica desse nome é “Hoshea” ou “Oshea” e significa “Jeová é Salvação” (o último rei de Israel também era Oséias). Pertence à mesma raiz da palavra “Josué” ou “Jesus”, que por sua vez tem o prefixo “yod” para “Yah” ou Senhor (“Yahweh é Salvação”).
A salvação foi o tema sobre o qual Oséias escreveu, enfatizando que a nação de Israel seria salva somente se o povo deixasse de adorar ídolos e se todos se dedicassem unicamente a adorar a Deus.

PARTICULARIDADES

Oséias foi o único dos profetas escritores que pertenceu ao Reino do Norte, Israel. Ele fala do nome do respectivo rei como “nosso” rei (7:5).

VISÃO PANORÂMICA

- Encabeça a lista dos Profetas Menores -

Contém 14 capítulos e está dividido em duas partes principais:

  1. Biografia do profeta (1-3), sumário do livro
  2. Relacionamento Pessoal comparado com o relacionamento da nação com Deus (4:14).
ESBOÇO DO LIVRO

  1. Vida pessoal do profeta (1:1-3:5)
    1. O casamento e os filhos de Oséias (1:1-2:1)
    2. Tragédia no casamento (2:2-23)
    3. O simbolismo do casamento (.:1-5)
  2. O pecado de Israel (4:1-13:16)
    1. A decadência moral e espiritual (4:1-7:7)
    2. A decadência política (7:8-10:15)
    3. O grande amor de Jeová (11.1-11)
    4. Apelo ao arrependimento, a leviandade e a condenação (12:1-13:16)
  3. Conclusão
                              1.            A palavra profética contempla um futuro glorioso para Israel (14:1-9)

FAMÍLIA DO PROFETA

Não somente o casamento de Oséias foi uma ilustração daquilo que pregava, como também o nome de seus filhos proclamavam as principais mensagens da vida do profeta.

Jezreel (1:4,5) seu primogênito recebeu o nome da cidade onde Jeú cometeu sangrenta brutalidade (2 Rs 10:1-14). Campo de batalha no qual o reino estava para entrar em colapso.

“Chegou a hora da retribuição e do castigo”

Lo-Ruama (1:6) o nome da filha, o Amor misericordioso de Deus por Israel chegara ao fim, embora houvesse mais oportunidade para Judá (v, 7).

“Não-Amada”

Lo-Ami (1:9) o nome da terceira criança, gerada fora do casamento com Oséias, fruto da prostituição, pecado e desobediência.

Filhos ilegítimos (5:7), com homens que não eram seus respectivos maridos.

“Não-Meu-Povo”

AUTOR DO LIVRO

  1. pouco se conhece sobre Oséias, exceto que é “filho de Beeri” e que profetizou para Israel, Reino do Norte, nos últimos trinta anos antes do cativeiro. Evidentemente mudou-se para o sul antes do cativeiro em 722.
  2. Jeroboão após a divisão das tribos  incitou o povo a adorarem outros deuses e a construir altares a baal. (I Rs 14:8-10) conf. (1 Rs 11:30,31).
3.      Como Isaías, seu contemporâneo em Judá, Oséias tinha uma família que foi usada pelo Senhor como “sinal” para a nação quanto ao futuro julgamento e posterior restauração. Suas lamentáveis relações conjugais tornaram-se a trama ao redor da qual o Senhor construiu sua mensagem final ao reino do Norte.

4.      Oséias, Amós e Miquéias viveram na mesma época. Com Isaías eles formam o quarteto do período áureo da profecia hebraica, 790 e 695 a.C.. Oséias e Amós eram profetas do Reino do Norte, enquanto Isaías e Miquéias profetizaram em Judá.

CENÁRIO HISTÓRICO

Durante os reinados de quatro reis de Judá, de Uzias a Ezequias, mais ou menos 767-697, e durante o reinado de Jeroboão II de Israel, chega ao todo entre 793-752. Foi escrito em 734 a. C., aproximadamente. A atividade profética é datada com referência a vários reis de Judá, o livro provavelmente foi escrito em Judá depois da queda da capital do Norte, Samaria (722-721 a. C.) ideia essa que é sugerida pelas referências a Judá em todas as partes do livro.

DATA EM QUE FOI ESCRITO – 734 A. C., APROXIMADAMENTE.

Jeroboão morreu em 752. Ezequias subiu ao trono em 728. Somando alguns anos ao mínimo período de tempo, sugere aproximadamente 755-725. Se Oséias começou seu ministério no final do reinado de Uzias e alcançou pelo menos os primeiros anos de Ezequias, fica claro que Oséias exerceu seu ministério por tempo prolongado. A julgar pelos nomes dos reis mencionados em (1:1), Oséias deve ter profetizado 38 anos, no mínimo.

DESTINÁTARIOS

Embora sejam dados os nomes dos reis de Judá com a finalidade de localizar a época, e Judá seja mencionado no livro, a profecia é dirigida ao reino do Norte, Israel (1:4, 6, 10; 3:1; 4:1, 15; etc.).

Oséias iniciou seu ministério quando Israel, no reinado de Jeroboão II (793-753 a. C.), estava no apogeu de seu poder. A partir de então, Oséias passou a ser testemunha da rápida desintegração e queda do Reino do Norte, em menos de trinta anos.Dirige-se a  ele como “Efraim” trinta e sete vezes, em virtude da poderosa tribo do centro oriunda do muito abençoado filho de José. Efraim quer dizer “fértil”.

CENÁRIO POLÍTICO

Samaria capital e sede religiosa do Reino do Norte.

Jerusalém capital e sede religiosa do Reino do Sul, Jerusalém.
Jeroboão II (793-753). Um reinado de grande prosperidade.
Zacarias (753-752). Reinou seis meses; assassinado por Salum
Salum (752). Reinou um só mês; assassinado por Menaém.
Manaém (752-742). Incrivelmente cruel; fantoche da Assíria.
Pecaías (742-740). Assassinado por Peca.
Peca (752-732). Assassinado por Oséias.
Oséias (732-722). Queda de Samaria (721) Fim - Reino do Norte.

Os reis do Reino do Sul, durante cujos reinados Oséias profetizou (1:1), foram:

Uzias (792-740), um rei bom.
Jotão (750-732), um rei bom.
Acaz (735-716), um rei muito ímpio.
Ezequias (716-687), um rei bom, durante reinado caiu Samaria.

  1. Nacionalmente, a monarquia tinha sido dividida em dois reinos havia aproximadamente 200 anos. Ambos os reinos tinham experimentado períodos muito prósperos, conhecidos como a era da monarquia áurea.
  2. Cerca de duzentos anos antes do tempo de Oséias, as Dez tribos haviam se separado e estabelecido um reino independente, tendo o bezerro de ouro como seu deus nacional oficial. Nesses dois séculos Deus enviou os profetas Elias, Eliseu, Jonas e Amós. Agora, Deus enviou Oséias. Para chegar ao ponto de mandar Oséias se casar com prostitua, ou seja, as alternativas/recursos tinham se esgotado.
  3. O Senhor dera a Israel grande expansão até Damasco, sob o reinado de Jeroboão II. Foi uma dádiva especial da graça do Senhor (2 Reis 14:25-28). Com sua benevolência, o Senhor queria levá-los ao arrependimento.
  4. Internacionalmente, formava-se uma grande nuvem de expectação e medo no oriente à medida que a Assíria aumentava o seu poder e começava a pilhagem no ocidente.
  5. Mais ou menos na segunda metade do ministério de Oséias, uma grande parte do Reino de Israel (Norte) foi levado cativo pelos Assírios. No final da vida de Oséias, o Reino de Israel chegou ao fim com a queda de Samaria. Oséias viu suas profecias se cumprirem.
CENÁRIO RELIGIOSO

Tanto do ponto de vista religioso como moral, Israel descera ao degrau mais baixo. Os sacerdotes tinham-se unido aos salteadores e assassinos nas estradas (6:9). A depravação moral deles tinha chegado ao ponto de sacrificarem crianças e se prostituírem cultualmente.Não contaminarás a tua filha, fazendo-a prostituir-se; para que a terra não se prostitua, nem se encha de maldade. (Lv 19.29)E quando a filha de um sacerdote começar a prostituir-se, profana a seu pai; com fogo será queimada. (Lv 21:9)E disse o SENHOR a Moisés: Eis que dormirás com teus pais; e este povo se levantará, e prostituir-se-á indo após os deuses estranhos na terra, para cujo meio vai, e me deixará, e anulará a minha aliança que tenho feito com ele. (Dt 31:16) Profetas ainda que de madrugada (ref.) com palavras duras, será que iria adiantar?Contra o Egito e a Etiópia, Isaías andou nu e descalço. (Is 20:2,3)Jeremias andou com jugo de animal de carga para representar a submissão ao império babilônio (Jr 28:10).Oséias profetizou no Reino do Norte no período de maior anarquia nacional, cujo povo experimentava uma apostasia generalizada nunca antes vista na história de Israel. Jonas e Amós já haviam falado àquela geração. Amós  fora enviado de Judá para condenar Israel em termos fustigantes por sua corrupção moral, indiferença religiosa e por não atender à repreensão.O ministério de Amós fora curto e explosivo, enquanto o de Oséias longo e paciente, como de um pastor que implora e derrama lágrimas por um rebanho enlouquecido a caminho da destruição.

OBJETIVO DO LIVRO

O Objetivo do Livro é registrar a chamada divina final ao arrependimento do indiferente reino do Norte que afundava na desgraça. O profeta descreve o estado abominável da nação que , à semelhança de sua esposa, tinham-se entregue à prostituição. Fala sobretudo do amor inextinguível do Senhor, que derramou lágrimas diante da alienação de Israel e estava pronto a receber o povo de volta para a aliança mediante arrependimento.

O LIVRO ENFATIZA O AMOR MATRIMONIAL DE DEUS

Embora forçado a divorciar-se de Israel e julgá-lo devido à sua prostituição (2:2-5), o Senhor ainda confirmou o seu amor pela nação e sua intenção de cortejá-la e trazê-la de volta em justiça (2:14-16, 20). Profundo e divino amor conjugal é a nota predominante dos Profetas Menores.

O PODER SECRETO DO AMOR DIVINO

Embora o amor divino por Israel parecesse fútil e infrutífero no tempo de Oséias, assim não aconteceria em longo prazo, pois, “os caminhos do Senhor são retos” (14:9). Seu amor por Israel continuaria apesar da obstinação do povo e , no final, se justificaria numa colheita de justiça. Deus não faz maus investimentos (2:19).

O PROFETA E SEU CASAMENTO FALIDO (1:2; 3:1-3)

A ordem que Oséias, o profeta, recebeu do Senhor para casar-se com uma prostituta é chocante e cria um dilema (1:2). De conformidade com a Lei de Moisés, Gômer deveria ser apedrejada como prostituta (Lv 20:10; Dt 22:21-24). provavelmente ela já era prostituta quando Oséias fora ao seu encontro (1:2). Qualquer que seja o caso, os tempos de Oseías não eram normais, pois a terra estava cheia de prostituição e os sacerdotes tinham-se tornado um bando de assassinos (4:12-14; 6:9). O adultério de Gômer, entretanto, alcançara tamanho grau de baixeza que ela se tornara uma prostituta escrava (3:1, 2). Todavia, a atitude de Oséias ao reivindicá-la e comprá-la tirando-a do mercado da prostituição não violou a Lei, pois, foi ordenada por Deus e realizada sob a dispensação especial da graça divina (semelhante à graça demonstrada a Davi quando este caiu em adultério). O Senhor suspendeu o julgamento sobre Israel a fim de revelar aos judeus sua magnânima graça. Eles mereciam ser totalmente destruídos por prostituírem-se, deixando o Senhor pelos deuses pagãos (3:1-4). A analogia divina com o casamento humano aqui apresentada foi planejada e expressa divinamente, e não deve ser posta de lado. A grande lição que se tira desse fato é que aquela infidelidade sexual é devastadora para um casamento, provoca o julgamento de Deus e exige arrependimento verdadeiro, bem como renovação genuína dos votos matrimoniais para que haja restauração. Apesar de a Lei proibir que a mulher fosse aceita pelo seu primeiro marido, após haver sido repudiada por este, casado outra vez e seu segundo marido haver falecido (Dt 24:1-4; Mt 19:8-9), faz parte de a graça oferecer misericórdia para a reconciliação numa genuína união renovada. A mensagem prática de Oséias são os dividendos que tal graça retribui (14;4-7), conforme demonstrado profeticamente no livro.

RELIGIÃO DEPRAVADA DE ISRAEL (6:6-10; 9:15-10:2)

Oséias descreve um dos períodos mais indignos da história religiosa de Israel. Apesar de guardarem religiosamente os rituais, os judeus praticavam a idolatria. Banditismo era comum entre o povo e até mesmo os sacerdotes reuniam-se para atacar e assassinar peregrinos no caminho para Siquém (4:11-13, 18; 6:9). Toda a terra mergulhara na prostituição (4:11.14, 18; 6:10). Sua hipocrisia era clamorosa. Por esse motivo, o Senhor prometeu vir como um leão, leopardo, urso e fera selvagem para despedaçá-los e devorá-los (5:14; 13:7,8). O reino do norte desfez-se e estava com Judá cento e cinquenta anos mais tarde, na época de Daniel, quando o Senhor descreveu o seu plano de disciplinar a nação por meio dos quatro “animais” (Dn 7). Amós, o profeta do Sul, já estivera em Samaria para repreender os líderes do norte pelo seu arrogante orgulho e ausência de misericórdia e justiça. Do mesmo modo que Amós denunciou o sistema depravado dos seus compatriotas, Oséias insistiu com eles mostrando o amor divino da aliança. Tendo rejeitado a correção, estavam sendo destruídos pela “falta de conhecimento” (4:6) e fadados a ser extintos como nação quase vinte anos mais tarde.

CRISTOLOGIA EM OSÉIAS

Em Oséias, as referências ao Messias são raras e um tanto indiretas.O amor divino por Israel, enfatizado pelo profeta, subentende o amor de Cristo tanto por Israel quanto pela Igreja (Jo 13:1). O Senhor do A.T (YHWH) é a própria Trindade, e o relacionamento “marido-mulher” representa o relacionamento  entre  o Senhor da aliança e o povo da aliança.Em Oséias, as referências ao Messias são raras e um tanto indiretas.O amor do N.T entre Cristo e sua Igreja é outra expressão daquele amor divino, mesmo para os que estão fora daquela união da aliança (Ef 2:11-14).Em Oséias, as referências ao Messias são raras e um tanto indiretas.A referência de 3:5 que “tornarão os filhos de Israel, e buscarão ao Senhor seu Deus, e a Davi, seu rei” é provavelmente messiânica. Pode referir-se ao tempo da ressurreição de Davi para ser rei sob a soberania de Cristo, que será o Rei dos Reis (conforme Ezequiel 34:23, 24), ou ao próprio Messias como “Filho de Davi” (Mc 12:35). Em Oséias, as referências ao Messias são raras e um tanto indiretas.“Nos últimos dias” os filhos de Israel “tremendo se aproximarão do Senhor” (3:5). Em Oséias, as referências ao Messias são raras e um tanto indiretas. “Do Egito chamei o meu filho” (11:1) é citado em Mateus (2:15) como uma profecia do Antigo Testamento de que Jesus seria levado ao Egito e chamado pelo anjo do Senhor. Evidentemente  Mateus usa este texto como uma “profecia” de Cristo, mostrando o relacionamento íntimo entre o Messias e Israel, até mesmo tendo experiências semelhantes à aflição vinda dos gentios e ao livramento de monarcas assassinos. Em Oséias, as referências ao Messias são raras e um tanto indiretas. Deus está se referindo à época em que tirou Moisés e os israelitas da escravidão do Egito. Muitos anos mais tarde, Mateus relatou em seu evangelho que José e Maria trouxeram o menino Jesus de volta do Egito, para onde tinham ido em sua fuga do mau rei Herodes. Mateus lembrou-se das palavras de Oséias (Mt 2.15) e as usou para mostrar o plano amoroso de Deus ao enviar Jesus.

CONCLUSÃO

A história deste profeta como já vimos, é um dos casos raros em que a condição pessoal do profeta serviu para retratar a mensagem divina; é o que chamamos de “oráculo por ação”. Sua história dramática é conhecida por todos os que leem a Palavra de Deus. Até mesmo os nomes de seus filhos descreviam a situação do relacionamento entre o Senhor e Israel. Lo-Ami, terceiro filho de Gomer, mulher do profeta Oséias, era ilegítimo, pois ela havia adulterado (Os 1:8, 9). Significa “não-povo-meu”, isto é, “não és meu filho”. Assim como o adultério rompe os laços matrimoniais, Israel, por causa de sua infidelidade a Deus, havia quebrado o concerto divino firmado no Sinai. Entretanto, a profecia contempla um fim glorioso para Israel: “... a Lo-Ami direi: Tu é meu povo!” (Os 2:23). É exatamente essa a mensagem que o apóstolo Paulo aplica aos gentios que se convertem mediante o evangelho de Cristo: “Chamarei meu povo ao que não era meu povo” (Rm 9:25).