sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

A LONGA SECA SOBRE ISRAEL



Que palavra difícil para transmitir! Vai faltar chuva - "nem orvalho nem chuva haverá nestes anos, segundo a minha palavra". Era, de fato, uma palavra de julgamento divino sobre os pecados do povo. É bom notar que há dois aspectos da pregação do Evangelho. Devemos enfatizar o amor de Deus, mas não podemos deixar de falar, também, da ira de Deus sobre o pecado. Há muita falta disso hoje na pregação do Evangelho. Quando foi a última vez que ouvimos um sermão sobre o inferno?

É sabido que a seca, pelo fato de trazer sede e fome, é uma das grandes armas que o Senhor usou várias vezes na história para punir e provar Seu povo. Daí a máxima: "A natureza volta-se contra os homens rebeldes". Em 1 Reis 18.1 concluímos que o período de seca durou três anos, tempo mais que suficiente para trazer danos, enfermidades e mortes ao povo.

"Tão certo como vive o Senhor, Deus de Israel, perante cuja face estou" (1 Rs 17.1) conta-nos de um homem certo da presença de Deus em sua vida, pois "perante cuja face"que é expressão de proximidade e de intimidade. E como a certeza da presença de Deus é importantíssima para aquele que pretende servi-Lo! Veja Êxodo 33.12-15; Salmo 16.11; Mateus 28.20.

"Retira-te daqui, vai para o lado oriental, e esconde-te junto à torrente de Querite, fronteira ao Jordão" (17.3). A Bíblia Vida Nova nos informa que a torrente de Querite seria um pequeno córrego que só apresentava correnteza em épocas de chuva. Devia localizar-se em lugar deserto, para que Acabe não encontrasse o profeta. E por que se esconder? Porque uma palavra profética que anuncia ausência de orvalho e de chuva durante três anos a um rei perverso, traria perseguição e morte ao profeta. E também porque Deus sempre usa um lugar desértico para preparar Seus servos: Moisés passou quarenta anos no deserto; Jacó passou catorze anos de frustração em Harã; Paulo ficou na Arábia durante três anos; e José teve que passar um tempo na prisão egípcia até que Deus o elevasse ao governo do Egito. Não deve ter sido fácil para Elias ter que ir a Querite quando no fundo desejava ir para o confronto no monte Carmelo!

Por que Deus escolheria uma ave de rapina para sustentar Seu profeta? Por que um animal que se alimenta de carniça, que é predatório e repelente? Por que Deus usaria uma ave considerada imunda segundo a lei (Lv 11), como o corvo, para alimentar Seu servo?

Esta não é a primeira nem a última vez que o corvo é mencionado como instrumento de Deus para cumprir Seus propósitos. Noé soltou um corvo da arca para verificar se as águas diluvianas já haviam minguado da superfície da terra (Gn 8.6-7); Jó é questionado por Deus: "Quem prepara aos corvos o seu alimento, quando os seus pintainhos gritam a Deus e andam vagueando, por não terem que comer?" (Jó 38.41); o salmista lembra-nos que o Senhor "dá o alimento aos animais e aos filhos dos corvos, quando clamam" (Sl 147.9); e o próprio Senhor Jesus Cristo lançou mão dos corvos para ilustrar a provisão de Deus. "Observai os corvos, os quais não semeiam, nem ceifam, não têm despensa nem celeiros; todavia, Deus os sustenta. Quanto mais valeis do que as aves!" (Lc 12.24).

Certamente Deus queria ensinar a Elias que Ele é Jeová-Jiréh ("O Senhor proverá" - Gn 22.14). E para fazer isso Ele usa quem quer, onde quer, quando quer e como quer; ou, como escreveu Petersen, "Deus cuidará de você , mas não seja muito exigente quanto aos garçons que forem usados pelo Senhor".

Por que a torrente secou? Você pode ironizar e responder. Porque a água acabou!" Porém não estamos pensando no lado lógico do fato, mas no propósito principal de Deus, ou seja, o que o Senhor está querendo ensinar ao Seu profeta desta vez? Por isso, três possíveis motivos são sugeridos por Petersen, e é evidente que concordamos com ele.

Mesmo estando em lugar desértico, não era difícil Elias já ter se acostumado com o suprimento diário. Mas Querite secou, e agora teria que perguntar "Para onde, Senhor?". E como sempre o Eterno tem uma solução, prepararia uma viúva na terra pagã passando fome, que contraste e que provisão! Esse e o meu Deus! De onde menos esperamos Ele traz o socorro!!!